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Livro e leitura: reflexões sobre os retrocessos nas políticas públicas do Estado

AGES - Associação Gaúcha de Escritores

Com extrema preocupação, temos visto as políticas públicas para o livro, literatura e bibliotecas, nos níveis federal, estadual e municipal, se extinguirem ou diminuírem consideravelmente. Devido à intensa luta desenvolvida na esfera municipal, mais especificamente na cidade de Porto Alegre, batalhando pelo programa Adote um Escritor, pela não cobrança de aluguel pelo uso da Praça da Alfândega para a tradicional Feira do Livro, acabamos não nos manifestando de forma explícita em relação a outros aspectos do sucateamento dos programas de leitura no âmbito estadual, por exemplo, apesar de ser bem conhecida nossa posição. Sendo assim, desejamos promover uma reflexão ao que vem sendo feito no Estado do Rio Grande do Sul, nos últimos anos, com o livro, com a leitura e com os demais setores relacionados.

Assistimos ao fim da SEDAC, Secretaria exclusiva para Cultura, conferindo menos importância para a pasta em nosso estado e impactando negativamente em todas as iniciativas que vinham sendo cultivadas e continuadas nos anos anteriores. No que diz respeito ao IEL, por exemplo, sabemos que houve diminuição considerável no quadro de servidores e verbas destinadas para esse Instituto que, nos anos anteriores, foi responsável por diversas ações.

Em função disso podemos citar algumas consequências:

As publicações do IEL praticamente zeraram, sem abertura de editais e sem edição de livros inéditos de autores gaúchos.

Abandono do projeto Prosa na Estrada, iniciativa Sedac/IEL. O concurso teve sua primeira edição lançada em 2013, em ação transversal com o Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (DAER), contando ainda com parceria da Associação Gaúcha de Escritores (AGEs) e da Corag. Contos e minicontos de autores do RS eram distribuídos gratuitamente em 100 mil folhetos nas linhas de ônibus intermunicipais. O segundo edital, em parceria com Evangraf e Celulose Rio-Grandense, foi aberto em outubro de 2013 e aceitou também crônicas inéditas. Foram mais 100 mil folhetos com literatura circulando por todo o Estado.

Interrupção da revista Vox, relançada em 2011, em parceria com a Corag. Entre 2011 e 2014, foram sete edições temáticas de 3500 exemplares cada, distribuídos gratuitamente. Os temas de cada edição: Moacyr Scliar, Mundo digital, Cinema e literatura, Medicina e literatura, Fartura e escassez na ficção, Literatura e memória, Fronteiras. As edições também podem ser lidas em versões digitais, disponíveis no blog do IEL.

Fim do Prêmio Moacyr Scliar de Literatura, que, além de valorizar escritores (prêmio de R$ 100 mil) e suas editoras, imprimia, via Corag, 5 mil exemplares da obra vencedora para distribuir gratuitamente em escolas, bibliotecas públicas e comunitárias, como fez com "Enquanto água", de Altair Martins, e "Alguma parte alguma", de Ferreira Gullar.

A extinção da Corag mereceria um capítulo à parte, tamanha perda que ela representa. É necessário enfatizar o crime intelectual contra o presente e o futuro do estado, a concretização de seu aniquilamento. A Corag foi, ao longo de toda história do Instituto Estadual do Livro, a principal parceira em coedições. O IEL, hoje precarizado e sem essa parceria, não conseguiu publicar sequer um livro inédito de autores contemporâneos. Nenhum edital para seleção de originais foi aberto em quatro anos, assim como foram abandonados os projetos já citados. A Corag é extinta pelas mesmas razões alegadas para o fechamento da TVE e da FM Cultura, da Fundação de Economia e Estatística, da Cientec, da FDRH e da Fundação Zoobotânica, mas que, obviamente, custarão muito tanto aos cofres quanto à cultura do estado.

Abandono do Pontos de Leitura. O projeto disponibilizava livros para empréstimo em estantes ao ar livre, espalhadas por cidades e áreas de veraneio. Realização conjunta com o Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas.

Descaso com o Plano Estadual do Livro, Leitura e Literatura, que não foi enviado à Assembleia Legislativa e teve suas diretrizes ignoradas. A criação do Plano Nacional do Livro e Leitura pelo governo federal motivou os governos estaduais e municipais a trabalharem no desenvolvimento de planos regionais de estímulo ao setor. Dentro dessa perspectiva, a Secretaria de Estado da Cultura
incumbiu o IEL de desenvolver um plano contemplando ações de incentivo ao livro, à leitura e à literatura com vistas a aumentar os índices de leitura no estado em dez anos. O PELLL foi construído com representantes de escritores, professores, bibliotecários, ONGs, universidades, livreiros, editores.

Quanto ao Autor Presente, programa esse com espaço importante nas escolas estaduais e ansiosamente esperado e disputado pelos professores, levando autores para encontros com seus alunos/leitores e exercendo grande influência positiva para os alunos enquanto indivíduos em formação e cidadãos críticos, também nos compete dizer: houve grande empobrecimento, seja na quantidade total de encontros, seja na motivação dos professores para a participação no programa frente a um governo que não investe na educação, nos planos de carreira e arrocha professores e servidores. No ano de 2014, aconteceram 145 encontros com alunos e o investimento de mais de R$ 200.000,00; no ano seguinte, já com o novo governo, tivemos apenas 20 encontros e o investimento de míseros R$ 9.000,00. Nos anos posteriores, o número de encontros vem se mantendo em torno de 60, mas ainda com um investimento bem inferior ao seu auge em 2014.

Diante de tudo isso, queremos registrar nossa indignação quanto às perdas, talvez irreparáveis, que alunos, professores, escritores e o povo gaúcho têm sofrido diante da falta de uma política pública verdadeira e significativa no que diz respeito ao livro, à literatura, às bibliotecas e à cultura de modo geral em nosso estado.

 

AGES - Gestão 2017/2018
Christian David – Presidente
Antônio Schimeneck – Vice-presidente Administrativo
Milene Barazzetti – Vice-presidenta Cultural
Marion Cruz – Vice-presidente Social

 


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