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Escritora gaúcha Dorothy Gallo morre em Santa Catarina, aos 93 anos

AGES - Associação Gaúcha de Escritores

Autora teve trajetória destacada como romancista, contista, cronista e radialista.

A escritora e radialista gaúcha Dorothy Camargo Gallo faleceu neste sábado (1/7) à tarde em Santa Catarina. Dorothy estava internada há dois dias no Hospital Santa Catarina por conta de um quadro gripal que a afetou e a debilitou muito. Decorrente disto, teve uma infecção severa e o comprometimento de vários órgãos, que deram origem a uma septicemia. Nascida 13 de janeiro de 1924, na cidade gaúcha de Rio Grande, Dorothy tinha 93 anos e teve trajetória destacada como romancista, contista, cronista e radialista, tendo escrito mais de 350 peças de radioteatro e ganho vários prêmios literários. Atualmente ela residia em Blumenau (SC), juntamente com a filha Ana Maria e o neto Carlos.

Dorothy residiu durante os 12 anos primeiros anos de vida numa casa localizada na rua Zalony, em Rio Grande. Mais tarde, a família transferiu-se para São Gabriel (RS), em função do trabalho de seu pai. Em Pelotas (RS), aos 15 anos, conheceu Ruy Gallo, com quem se casou e teve sua única filha, Ana Maria. Após o matrimônio, o casal mudou-se para Joinville (SC) e depois para Porto Alegre, antes de se mudar para Santa Catarina.

Ao longo de sua trajetória, a autora foi ganhando espaço como romancista, cronista, contista, radialista, rádioatriz, professora e tradutora. Iniciou a sua produção literária com novelas radiofônicas, as quais produziu em massa durante vários anos. Era diplomada em Inglês pela Universidade de Ann Arbor (Michigan, Estados Unidos) e também pela Pontifícia Universidade Católica do RS (PUCRS). Ministrou por muitos anos aulas de Inglês e de Literatura Inglesa, além de ser tradutora pública juramentada. A sua produção literária é composta de dois romances, três livros de contos, três novelas, 357 radionovelas, um monólogo e duas peças teatrais infantis, além de ter participado de várias antologias. Recebeu o Prêmio Paraná de romance em 1991, com "O amanhã de tanta espera", e a menção honrosa pela Academia Barretense de Letras, em 1993, com o conto “Sílfides x Elfos”.

"Escritora premiada, Dorothy era muito querida", escreveu o escritor Fernando Neubarth em sua página no Facebook, ao saber da morte de Dorothy. "Eu a conheci quando vivia em Porto Alegre e era presença certa em qualquer evento literário, sempre ao lado do seu garboso Ruy (marido da escritora). Naturalmente elegante, dona de uma simpatia terna e de um par de olhos que parecia conter todos os tons de azul dos incontáveis mares e céus por onde viajou, outra de suas paixões", declarou Neubarth.

Produção consistente

Em sua dissertação "Dorothy Camargo Gallo: o universo literário e a representação da mulher em O Amanhã de Tanta Espera" (2006), a mestre em História da Literatura Tatiana Gomes do Espírito Santo observa que Dorothy Camargo Gallo possui uma produção literária consistente, composta por textos em diversos gêneros literários, tendo iniciado a sua produção literária na década de 1960. "Mais relevante do que isso, entretanto, é a preocupação de Dorothy Gallo quanto à questão de gênero e da representação do universo feminino, temas essenciais da produção literária de autoria feminina", escreve Tatiana. "Na radiodramaturgia, a autora também se mostra preocupada em descrever e analisar o universo feminino, enfatizando temas tais como o preconceito racial e social, o papel da mulher no casamento e suas conseqüências, especialmente a maternidade. Nas suas peças teatrais infantis, Dorothy Gallo discute questões referentes à composição da família e das diferenças sociais que envolvem a mulher."

Ainda de acordo com Tatiana do Espírito Santo, a diversidade de gêneros literários é uma constante na obra de Dorothy Camargo Gallo. "Seu primeiro livro de contos, Intimidades, de 1982, é composto por 17 pequenas histórias de relacionamentos tanto afetivos quanto sociais. Predominam nos contos, de forma geral, questões referentes ao universo feminino tais como: posição social da mulher, sexualidade, relacionamentos afetivos, homossexualidade, família e as conseqüências do casamento e da maternidade. Nos contos Bordejo, Heteronomia, Espólio, Permutas e Identidade, por exemplo, há uma constante indagação acerca do papel da mulher no matrimônio e os relacionamentos por interesse material."

O primeiro romance de Dorothy Gallo é "A chuva na areia", publicado em 1969. "Nessa obra, a autora destaca a vida cotidiana, a família, a maternidade, o casamento e a posição social da mulher", relata Tatiana. Ela destaca ainda que a autora, ao longo de sua produção de contos, romances e até mesmo novelas, traz como cenário o mar, a terra natal e alguns pontos turísticos da cidade de Rio Grande, o que mostra a sua origem e o resgate histórico de sua cidade. ​"​Além disso, ao longo de sua produção literária, a autora mostra-se preocupada com a representação das protagonistas e suas trajetórias, em que questões referentes à sexualidade, ao matrimônio, à maternidade, entre outros temas, são essenciais. Essas temáticas, pertinentes no processo de composição do universo feminino, desvelam a inquietação de Dorothy Gallo, nos diversos gêneros literários a que se dedica, como radionovelas, peças teatrais infantis, monólogo, romances, contos e novelas.​"​

 


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