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AGES lança manifesto a favor do Programa Adote um Escritor

AGES - Associação Gaúcha de Escritores

Em reunião realizada pela Frente Parlamentar de Incentivo à Leitura nesta quarta-feira (2/8) à noite, na Câmara Municipal de Porto Alegre, a Associação Gaúcha de Escritores (AGES) lançou um manifesto a favor do Programa de Leitura Adote um Escritor. O programa, que vem sendo desenvolvido com sucesso há 16 anos na Capital e se consagrou como uma referência nacional em políticas públicas de incentivo à leitura, está ameaçado de ser extinto ou ter seu formato original descaracterizado a partir deste ano, por decisão do prefeito Nelson Marchezan Junior. Além de dirigentes da AGES e da presidente da Frente Parlamentar, vereadora Fernanda Melchionna (PSOL), a reunião teve a presença também dos vereadores Adeli Sell (PT), Reginaldo Pujol (DEM) e Professor Bernardo (PT), escritores, professores e diretores de escolas municipais e representantes da Câmara Rio-Grandense do Livro (CRL) e do Clube de Editores.

Após ler o Manifesto, o presidente da AGES, escritor Christian David, destacou a importância do Adote um Escritor como política de incentivo à leitura e salientou que os escritores e a comunidade em geral estão surpresos com a notícia de que a Smed não pretende destinar recursos para a continuidade do programa. “Lançamos uma campanha, nas redes sociais, pela continuidade do Adote em seu modelo original e queremos intensificá-la agora. Estamos pedindo que todos assinem o Manifesto, de forma a criar um movimento.”

De acordo com Sônia Zanchetta, integrante da CRL e coordenadora da área infantil da Feira do Livro de Porto Alegre, a Secretaria Municipal de Educação (Smed) negou que a prefeitura pretenda extinguir o programa, mas admitiu que o Executivo não destinará recursos para compra de livros dos autores que visitarem as escolas. Desde a implementação do Adote, em 2002, a CRL é parceira da Smed na execução do programa nas escolas, arcando inclusive com alguns custos.

A vereadora Fernanda Melchionna lamentou o descaso do governo Marchezan com as políticas de incentivo à leitura na Capital. “As informações que temos são muito ruins”, disse ela. “A Smed afirma que vai manter o Adote, mas na verdade não há como mantê-lo sem destinar recursos para a compra de livros.” A vereadora garantiu que a intenção da Frente Parlamentar é a de lutar para que o Adote “funcione em sua plenitude” e que as políticas de incentivo à leitura tenham continuidade.

Durante o encontro, os participantes definiram que, além da divulgação do movimento #SouAdote, já iniciado em campanha nas redes sociais, e da realização de um abaixo-assinado virtual, várias outras ações serão organizadas para os próximos dias.

A seguir, a íntegra do manifesto:

MANIFESTO A FAVOR DA MANUTENÇÃO DO PROGRAMA ADOTE UM ESCRITOR

2 de agosto de 2017

Há 16 anos, com a criação do Programa de Leitura Adote um Escritor, a cidade de Porto Alegre tem sido referência na implementação de políticas públicas de leitura que, em 2011, culminou com a criação do PMLL: Plano Municipal do Livro e da Leitura.

Assim, ficamos surpresos ao tomarmos conhecimento da possibilidade de extinção deste programa vitorioso na construção de uma cidade mais leitora e mais cidadã, visto que, pelos pronunciamentos da SMED, soube-se que não há dotação orçamentária que garanta, com qualidade, a manutenção do “Adote”. Depoimentos de professores, de escritores, de ilustradores, de contadores de histórias, de editores e de demais membros da comunidade escolar são profícuos em assegurar os ganhos de uma experiência leitora ímpar como se constitui o “Adote”, sendo suas ações conhecidas além das fronteiras de Porto Alegre e do Rio Grande do Sul. Entre suas ações, além da ampliação e renovação do acervo das bibliotecas escolares, está a qualificação dos leitores por meio da leitura de livros, da reflexão, da construção de objetos artísticos, estabelecendo diálogo entre as mais diferentes áreas da Arte e do Conhecimento. Dessa forma, o “Adote” não é apenas um encontro, mas sim a construção de práticas leitoras que – conforme revela pesquisa apresentada em TCC, realizado na Faculdade de Biblioteconomia da UFRGS, pela bibliotecária Giane Zacher – buscam a formação de posturas leitoras (e sua qualificação) nas comunidades escolares do município.

A cada ano, o programa envolve 99 escolas, 15000 alunos, 74 escritores, ilustradores e contadores de história, além de mais de 5000 servidores e 1000 professores. Todavia, apesar disso, o “Adote” corre o risco de acabar.

Este ano, a SMED não investiu nenhum real no Programa, rompendo compromisso assumido com a comunidade escolar e com a CRL (parceira do programa) em assembleia realizada em abril de 2017. Tal postura acena para uma Secretaria da Educação despreocupada com a continuidade de um projeto que tem contribuído com a prática leitora em Porto Alegre.

O Adote não pode ser interrompido.

Afinal, como diz Michele Petit, “espaços coletivos de leitura tiram cada um de sua solidão, fazem-no compreender que esses tormentos são compartilhados pelos que estão a seu lado, mas também por aqueles que encontra nas páginas lidas ou por quem as escreveu”. Dessa forma, o Programa Adote um Escritor contribui com a vivência pessoal e insere o leitor em sua cultura, à medida que possibilita espaço de interação entre leitor e livro, entre leitor e escritor, entre leitor e leitores.

Sabe-se, embora os gestores públicos pareçam não dar a devida importância a tal verdade, que a leitura é a chave para a cidadania, contribuindo para a formação do indivíduo, capacitando-o e munindo-o de experiências existenciais e imaginativas, que o tornam mais preparado criticamente para enfrentar as demandas e as necessidades do viver. A leitura liberta e constrói cidadania.

Assim, a AGES e demais entidades e pessoas envolvidas com o livro, a literatura e a leitura reafirmam o compromisso com a manutenção do Programa Adote um Escritor. Daí nossa luta para que a causa da leitura, representada de forma consistente e produtiva pelo “Adote”, não seja fragilizada, interrompida ou substituída, mantendo-se a continuidade de um programa que tanto tem contribuído com a formação e a qualificação dos leitores em Porto Alegre.

Queremos e precisamos, pois, do Adote.
 

 


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