Eu, escritor Negro e Quilombola de Mostardas (RS)

Atualizado: há 5 dias



Os livros sempre fizeram parte do meu imaginário! Na infância e adolescência, eu tinha três coisas que gostava mais de fazer – jogar futebol, desenhar e ler! A escrita começa entrar em minha vida na escola, com os desafios de escrever inúmeras redações da professora Olga Machado Lucas, ainda no Ensino Fundamental motivado pela vontade de aprender a ler herdada de meu avô materno, Ernesto Chaves de Souza, o Totóca do Quilombo dos Teixeiras. O gosto pela arte, estimulado pela professora Nilza Vitorino e o refino do português com a professora Vanda Simão, moldaram este hábito. Minha forma de me expressar eram os desenhos e a escrita, em um tempo inóspito em que a desesperança insistir em ser protagonista da vida de crianças negras e pobres.

A primeira oportunidade de escrever de forma pública, foi em 1995, no Jornal Freguesia das Águas, quando tinha 16 anos. O jornalista José Vilmar Rodrigues de Souza me deu a oportunidade de escrever sobre futebol, especificamente, sobre o campeonato municipal!

A minha escrita inicia então pelo jornal. Escrevi artigos com temas variados em diversos deles - Freguesia das Águas, Fique por Dentro e Rebojo (Mostardas); Correio do Povo, Jornal do Comércio e Zero Hora (Porto Alegre); Correio Rural, Sexta-Feira, Diário de Viamão, Opinião, A Cidade, Da Terra, Revista Viamão, O Farol e Viamão Hoje (Viamão); Jornal Regional do Comércio (Pinhal); Diário de Gravataí (Gravataí).

Depois, principalmente, a partir de 2009, começo a escrever na internet, em Blogs e diferentes plataformas digitais.

Em 2014, pela Editora do Conselho Federal da OAB, lanço meu primeiro livro - Sustentabilidade & Acessibilidade: Educação Ambiental, inclusão e direitos da pessoa com deficiência – práticas, aproximações teóricas, caminhos e perspectivas: aborda a articulação dos conceitos de sustentabilidade e acessibilidade como paradigmas deste século a serem incorporados nos mais variados espaços sociais. Acessibilizar o ambiental, ambientalizar o acessível é uma tarefa que o livro propõe para as políticas públicas e especialmente, nos movimentos sociais, para romper uma cultura de fragmentação baseada no cartesianismo. Conforme Marcus Vinicius Furtado Coelho, presidente do Conselho Federal da OAB, que prefacia a obra, “as reflexões apresentadas guardam um ineditismo surpreendente, sendo portadoras de um pensamento social avançado, pertencente à vanguarda das reflexões sobre sustentabilidade, educação ambiental, acessibilidade e direitos humanos. Uma leitura indispensável não só a profissionais e estudantes, mas também para qualquer pessoa que se interesse pelos temas magistralmente abordados. Um prato cheio para quem acredita no direito de igualdade e na sua construção e reconstrução diárias.” A publicação é fruto das minhas pesquisas no mestrado junto ao Programa de Pós-Graduação em Educação da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul.

Em 2018, através da Editora Lumen Juris, lanço meu segundo livro – Política da Pessoa com Deficiência no Brasil: percorrendo o labirinto - A obra busca refletir sobre os processos de formação da agenda da política da pessoa com deficiência no Brasil, considerando diferentes aspectos como o protagonismo, a transversalidade das políticas públicas e sua evolução, o papel dos indicadores, as relações de embate e diálogo entre governo e sociedade civil e os processos formativos instituídos, até mesmo na busca pela legitimidade desses conceitos no cenário local e internacional.

O trabalho é resultado da pesquisa de doutorado desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Políticas Públicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e das experiências do autor em diversas áreas e em especial como servidor da Faders Acessibilidade e Inclusão.

Além destas duas obras, me aventurei pela poesia, inspirado em Pablo Neruda, sem métrica, sem estética, porém, com um livro de cem poemas produzido de forma exclusiva para minha musa inspiradora.


Além dos livros autorais, participei de obras coletivas, dentre elas destaco:

Raízes de Viamão – Memória, História e Pertencimento (2008)

Leituras de Paulo Freire na partilha de experiências (2011)

Revista Olhar do Professor (2011)

Relatório Azul (2012)

Visões e Experiências Ibero-Americanas de Sustentabilidade nas Universidades (2012)

Condições de acesso das pessoas com deficiência aos bens sociais do estado do Rio Grande do Sul (2014)

Estudos em Gestão & Políticas Públicas (2019)

Também tive a oportunidade de atuar como produtor, coordenando a produção de pelo menos dois livros:

3ª Conferência Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência – Relatório Final (2013)

Conade – 16 anos de participação social (2015)

Tive a honra de ser o primeiro patrono em duas feiras do Livro:


Mostardas (2015)


Tavares (2019)



Escrever para mim é uma forma de expressar sentimentos, afetos, verdades e questionamentos! Seguindo a máxima de Aristóteles de que a dúvida é o princípio da sabedoria, nunca estamos completos, pois estamos o tempo todo nos reconstruindo como sujeitos. Escrever é também parte deste processo!

Eu, escritor negro, tenho um profundo respeito com a minha história quilombola, mostardense, AfroAçoriana e sobretudo, humana! Toda caminhada é regada por parcerias, conexões e diferentes contextos, os quais de certa forma, impregnam os nossos olhares sobre o mundo e a vida! O que construí até aqui passa pela família, pela educação e pelas/os educadores! Isso me constituiu escritor!


Jorge Amaro de Souza Borges

Escritor

Membro da Associação Gaúcha de Escritores (AGES)

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