Jorge Amaro participa de coletânea de autores luso-brasileiros



Dentro da programação da Semana Açoriana de Mostardas, aconteceu na manhã da terça-feira (31/05) o lançamento do livro “Autores Luso-Brasileiros 2022”, obra organizada pela Sala Açoriana de Mostardas e Casa dos Açores do Norte, tendo como lema “Brasil/RS – Portugal – Açores: Unidos pela fala materna da língua portuguesa”, tendo como editores Antonio Soares e Marisa Guedes.

O evento faz parte das comemorações dos 270 anos da presença açoriana no Rio Grande do Sul, os259 anos da chegada dos imigrantes açorianos em Mostardas e ainda os 30 anois da Sala Açoriana de Mostardas! O evento contou com a presença da Vice-cônsul de Portugal em Porto Alegre Filipa Mendonça.

Ao longo das 232 páginas, 58 autores abordam temas que nos ajudam a compreender a importância da imigração açoriana no sul do Brasil!


Em seu texto, intitulado “Somos todos afro-açorianos” o escritor Jorge Amaro buscou retratar um pouco da contribuição do elemento negro na península e de como estes povos, através de suas lutas, construíram juntos a nossa identidade.

Conforme o autor, que é quilombola da comunidades dos Teixeiras "podemos compreender uma cidade “AfroAçoriana” como aquela em que os valores culturais da população estão impregnados de uma miscigenação portuguesa (açoriana) e africana (quilombola) que perpassa a cultura, a religião e afeta a forma como as relações se estabelecem no âmbito político, social, ambiental e econômico, formando assim, a identidade de seu povo no território."

Para ele "Tratar deste tema em uma obra de escritores luso-brasileiros é emblemático. Por muito tempo, as cidades que receberam os casais açorianos eram denominadas apenas de "açorianas". Ao longo dos anos tenho defendido que há um apagamento histórico da questão afro, portando, precisamos mudar este paradigma, pois houve uma parceria destes povos para sobreviver em um ambiente inóspito e complexo."

Ele destaca ainda que "Não é a nossa intenção confrontar culturas e disputar discursos, mas, mostrar que ambos os povos construíram Mostardas, porém, o papel do povo negro sempre foi negligenciado pela história e isso precisa ser resgatado, valorizado e internalizado no nosso cotidiano. Os negros não foram somente escravos, mas trouxeram do continente africano um conjunto de traços que fazem parte da nossa constituição como povo mostardense."





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